O Parto não Começa no Dia do Parto
- vitorreis222
- 15 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Introdução
Quando conversamos em assistência humanizada ao parto, sempre focamos em só um momento: o parto. Só que o parto é a concretização de nove meses de gestação, e nesse período a mulher passa por inúmeras transformações, adquire conhecimentos e habilidades, e passa por avaliação de muitos profissionais - médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, nutricionistas...Cada um com um pouquinho de informação para construir a gestação até chegar ao parto. O que quero dizer com isso é que não adianta conversarmos sobre parto humanizado e medicina baseada em evidência e nos referirmos apenas ao parto em si. Porque o parto não começa no dia do parto, e eu vou te explicar o porquê.
Engravidei! E Agora?
Pode parecer loucura, mas não é: no Brasil, assim como em vários outros países do mundo, mais da metade das gestações são não planejadas. Este é um assunto que merece discussão em outra postagem, mas, por algum motivo, aquela mulher acabou engravidando. E, ao engravidar, aquela mulher demora para iniciar acompanhamento com profissional de saúde, muitas vezes por negação ou por dificuldade em perceber que está grávida - sim, nem todas as mulheres têm sintomas de começo de gravidez! E o problema disso é que uma janela de oportunidade se fecha a cada dia que a mulher está grávida e sem seguimento adequado.
No mundo ideal, a mulher, ao descobrir a gravidez, inicia seu seguimento com obstetra, e é função deste profissional promover educação perinatal. Já ouviu falar deste conceito? Então acompanha aqui que eu te mostro o que é.

Educação Perinatal é Promover Saúde
Quando conversamos sobre pré-natal, o básico sempre é feito: calcular idade gestacional e data provável de parto (DPP), auscultar os batimentos fetais e solicitar exames laboratoriais. A educação perinatal vai além do básico, e envolve a conversa com o casal sobre todos os momentos da gestação, do parto e do puerpério. Até porque cada fase é única e merece um cuidado especial na hora de conversar e tirar dúvidas.
Claro que são temas longos e complexos, e ainda bem que, quanto antes iniciado o pré-natal, antes aquele casal tem acesso às melhores informações!
Conversar sobre a gestação é conversar sobre todas as modificações com o corpo da mãe em cada fase, é orientar o que é normal e o que é anormal, e é esclarecer todas as dúvidas que podem surgir. Conversar sobre parto é falar sobre as vias de parto, as indicações (reais) de uma cesariana, o uso de instrumentos no parto vaginal (como o fórceps ou o vácuo extrator) e dos riscos e complicações associados a cada via. Conversar sobre puerpério é conversar sobre as mudanças hormonais e as mudanças corporais, sobre o surgimento de uma nova vida naquele lar e de todas as suas dificuldades, e conversar sobre o planejamento familiar do casal.
O dia do Nascimento
O dia em que ocorrer o nascimento, independente da via, deve ser uma dia memorável na vida do casal. Além de trazer a felicidade da chegada do filho, a felicidade em se conhecer todo o processo é gratificante, e a gente sabe que conhecimento é poder. E o poder, nesse momento, vem de entender todo o processo que ocorreu antes do nascimento em si, e entender que nascer foi um reflexo de um preparo bem feito no pré-natal.
Digo isso porque é comum mulheres procurarem equipes que assistem ao parto já no fim da gestação, almejando por um parto vaginal "a qualquer custo" e respeitando todas as suas vontades, independente da situação. Infelizmente, essa é uma realidade comum de mulheres que não receberam as orientações adequadas ao longo do pré-natal sobre o parto e se frustram (com razão) quando há mudança nos planos do parto. Porém, a via de parto "a qualquer custo" não funciona, ainda mais quando lidamos com decisões compartilhadas e segurança.

Como assim, Vitor? Veja, em um pré-natal de qualidade, a mulher será orientada SIM sobre a melhor via de nascimento para seu bebê (muitas vezes, será o parto vaginal). Mas, os planos podem mudar a depender da segurança da mãe e/ou do bebê, ou se ocorrer alguma intercorrência durante a progressão fetal pelo canal de parto. E todas as possibilidades devem ser conversadas no pré-natal, para que a mulher chegue munida de informações, e entenda todo o processo de parto - afinal, é ela quem vai parir seu filho.
Conclusão

Conversar sobre assistência respeitosa e humanizada ao parto é conversar sobre pré-natal de qualidade, boas práticas durante a gestação e assistência multiprofissional (sim, é permitido por lei que a gestante de risco habitual faça consultas de pré-natal com obstetriz ou enfermeira obstetra).
Se você está grávida e deseja a melhor assistência no dia do seu parto, procure uma equipe alinhada com suas expectativas o quanto antes!




Comentários